Desejo

Copy (1) of DSC06638-2

O desejo é um tufo de penugem muito fina, de uma seda brilhante e farta. O desejo é um tufo, mas não só. A penugem está segura na ponta de um casulo massudo, muitas vezes, marrom. O desejo é portanto ao mesmo tempo uma doce leveza grudada num bloquinho de pesada realidade.

O desejo gosta de voar por aí, mas só quando a temperatura permite. Explico, os desejos só se soltam no ar quando o medo gelado se dissipa e a incerteza fria já se foi. É aqui que então o desejo carrega pelos ares seu casulo de realidade pesada.

O desejo gosta de gramados verdes e céus azuis. Eles aparecem quando o orvalho da manhã já evaporou de sua cabeleira as gotas pesadas da úmida hesitação que povoam sobretudo as horas mortas de auroras diárias. Assim os desejos voam, saltitam e flutuam embalados  pelos ventos da excitação.

Primaveras e verões são as estações preferidas dos desejos quando há nas ruas, jardins e parques e ares das cidades mais chance de pousar em um terreno fértil onde semear suas pequenas doses de massuda realidade. Ainda assim é possível encontrar desejos perdidos voando em dias quentes de finais de verões teimosos, ou flutuando nos primeiros ventos de um outono ou outro.

Os desejos são sementes que surfam nos ventos dos nossos sonhos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s