Não Sei

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Escrevo, hesito, releio, desisto. Me assusto e recuo. Medo, vergonha, incerteza e descrença. Tudo isso ou outras coisas que não alcanço, de tão fundas parecem não existir. Existem. Impedem. Me impeço, saboto, acovardo.

Insisto. Reescrevo acrescento, corto, apago, aborto. Resisto, não paro. Repenso. Viro a página, troco o lápis. Saio. Vivo a vida. Finjo esquecer do papel, das letras, das caraminholas borbulhando no meu juízo.  Adio procrastino, horas, dias, semanas, anos, vidas. Devia avançar, recuo. Será que vai dar? Encolho. Talvez outro assunto? Titubeio. Outras palavras, paisagens. Outro lugar… Recomeço.

Um novo caderno, uma caneta bonita. Escrevo e não dá pra apagar, borro, risco. Arrisco. Novamente a pena rasga fundo. Dilacera. Me recolho, alma exposta como cabelos ao vento. O vento arrepia a cabeleira. Afasto os fios dos olhos. Não vejo. Escrevo como automato para driblar a nudez. Pra driblar o medo de não conseguir. Para mentir talvez. Para esquecer, ou lembrar, não sei.

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