Mar

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Recortes, vislumbres, mergulhos muito curtos na água remexida de um mar ressacado. Pouco se vê. Tateio. Refreio. É muito fundo, não dá pé. Volto a superfície. Respiro. Tento novamente. Levo a câmera dessa vez. Faço fotos, pra tentar enxergar depois, num lugar mais iluminado e onde eu não tenha que prender a respiração.

Minha alma é mar revolto, meu eu mora lá no fundo. Encontrar me, saber me é uma aventura , muitas vezes tenebrosa. O mar sou eu. Inacessível. Lindo, brutal, explosivo. Sou força da natureza, sou frágil. Um saco plástico, uma tampa de garrafa me machuca. Destrói devagar minha vida, o que me habita. Sou o mar e suas ondas, meus humores regidos pelos astros celestes. Sou mudança. Sou sem fim. De praias de areias brancas a abismos desconhecidos  sou mistério, sou correnteza. Sou maresia. Me espalho no ar e impregno tudo. Enferrujo. Embaço. Umedeço. Salgo.

Sou remanso, sou gandaia, sou arrebentação. Sou pancada nas pedras, sou as languidas lambidas na areia. Sou água furiosa, em eterno movimento. Sou calmaria. Sou imensa irrepresável. Sou amplidão solitária. Imensidão. Atlântica, Pacífica, Indica, Gélida no Mar do Norte. Mediterrânea.

Não me adapto. Envolvo continentes cavo neles minha vontade. Me imponho ora dócil remanso, ora em fortes ressacas. Cavo meu espaço só para retroceder depois. Indecifrável, meus humores, minhas vontades. Misteriosos azuis, cinzas e verdes. Tanto mar que separa, une, encanta e intimida.

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